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3 mitos sobre o leite que você precisa parar de acreditar

Mitos e boatos sobre o leite fizeram muita gente abandonar o alimento por achar que ele faz mal. Veja algumas bobagens que você precisa parar de acreditar!

O leite de vaca é consumido pelo homem há muito tempo. Sempre foi um alimento conhecido por seu excelente perfil nutricional e introduzido na alimentação desde cedo, em geral logo após o aleitamento materno. Mas de algum tempo para cá, o jogo virou.

Ou, ao menos, estão tentando virar. Mitos e crenças populares, alguns inclusive espalhados com ajuda de profissionais da saúde, sugerem a redução do consumo do leite de vaca e apontam possíveis pontos negativos do consumo do alimento.

Isso criou uma enorme polêmica em torno do consumo de leite – assim como aconteceu com o ovo, que passou de alimento queridinho a odiado, e voltou a ser queridinho recentemente.

No caso do leite, há até quem use como argumento o fato do ser humano ser o único mamífero a consumir esse alimento após o desmame – como se os seres humanos não fossem os únicos mamíferos a fazerem milhares de coisas, e não necessariamente eles serem ruins.

Você conhece algum mamífero que cozinha o próprio alimento, por exemplo? E algum mamífero que retire o excesso de gordura das carnes consumidas? Existe mamífero que adiciona pimenta aos alimentos?

É claro que existem vários outros argumentos contra o consumo de leite, alguns até com certo embasamento – por exemplo, os que tratam do bem-estar animal. 

Mas o fato é que com tantas opiniões, polêmicas, notícias, fica difícil saber em quem acreditar e saber se ele é realmente um alimento saudável ou se deve ser evitado.

Foi por isso que a Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição elaborou um documento com o tema: “A importância do consumo de leite no atual cenário nutricional brasileiro”, que aborda diversos pontos sobre o consumo do leite.

O documento ajuda a entender qual o papel do leite na alimentação do ser humano e abre caminho para tirar a limpo alguns dos principais mitos sobre esse alimento.

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Consumo de leite

Uma alimentação variada é uma das mais antigas recomendações nutricionais, pois favorece o consumo de alimentos de diversos grupos alimentares, permitindo que a ingestão de nutrientes essenciais para a saúde aconteçam nas proporções corretas, sem a necessidade grandes esforços.

O leite e seus derivados formam um grupo que merece atenção, pois são alimentos de grande valor nutricional, fontes de proteína de alto valor biológico e rico em vitaminas e minerais.

Perfil nutricional 

O leite de vaca possui em média 87% de água e 13% de componentes sólidos, divididos em:

Carboidratos: 4 a 5%

O principal carboidrato presente no leite é a lactose, na quantidade de 40 a 50g por litro, equivalente a 8 a 10g por 200 ml (1 copo).

Para quem não tem nenhum tipo de intolerância ou alergia, esse açúcar contribui na absorção de minerais, como o Cálcio, Magnésio e Fósforo e também na utilização da vitamina D.

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Proteínas: 3%

O leite é considerado uma boa fonte de proteína, pois além de fornecer cerca de 6,4g de proteína em 200 ml, essas proteínas possuem boa digestibilidade, biodisponibilidade e são de alto valor biológico, ou seja, apresentam todos os aminoácidos essenciais em quantidades adequadas para suprir as necessidades humanas.

Para comprovar isso, o O PDCAAS (Protein Digestibility – Corrected Amino Acid Score), indicador para atestar a qualidade proteica, indica que as proteínas contidas no leite apresentam grau máximo de qualidade (=1) podendo, portanto, ser comparadas à albumina, tida como padrão-ouro.

Lipídios: 3 a 4%

A fração lipídica do leite é composta principalmente por triacilgliceróis (98%), depois diacilglicerol (2%), colesterol (< 0,5%), fosfolipídios (~1%) e ácidos graxos livres (0,1%).

O leite de vaca possui naturalmente pequenas quantidades de gorduras trans, oriundas de processos metabólicos do intestino dos ruminantes. Dentre estas, destaca-se o ácido linoleico conjugado (CLA), que vem sendo associado a benefícios à saúde, como a melhora da condição cardiovascular, do sistema imunológico, além de potencial efeito anticancerígeno.

Um dos principais requisitos para a classificação dos diferentes tipos de leite sustenta-se em seu teor percentual total de lipídios/gorduras:

  • Integral: mínimo de 3%
  • Semidesnatado (ou parcialmente desnatado): entre 0,6% e 2,9%
  • Desnatado: máximo de 0,5%

Vitaminas e minerais: 0,8% e 0,1%

O leite é amplamente reconhecido como fonte de cálcio, no entanto, outros minerais como fósforo, magnésio, zinco e selênio também estão presentes em sua composição.

Em relação às vitaminas, esse alimento possui tanto as lipossolúveis como a A, D e E, como as hidrossolúveis, com destaque para as do complexo B. O leite é considerado uma das principais fontes de riboflavina (vitamina B2).

O leite ainda possui naturalmente imunoglobulinas, hormônios, fatores de crescimento, citocinas, nucleotídeos, peptídeos, poliaminas, enzimas e outros peptídeos bioativos que apresentam interessantes efeitos à saúde.

Mesmo diante de todas essas informações, ainda há muitas pessoas que afirmam que o leite não deve ser consumido – na maioria das vezes, baseadas em boatos sobre o alimento.

A gente separou alguns desses mitos para mostrar como eles não são verdadeiros. Se liga:

3 mitos sobre o leite que você precisa parar de acreditar

Mito 1 – O Cálcio do leite não é absorvido

Há quem diga que o Cálcio do leite não é biodisponível. Porém, o consumo deste alimento é recomendado principalmente para que se atinja a ingestão diária recomendada de Cálcio, por diversos profissionais da saúde e documentos oficiais, como a pirâmide alimentar.

“Para indivíduos saudáveis que necessitam de 2000 kcal/dia, de acordo com a Pirâmide Alimentar adaptada à população brasileira, recomenda-se o consumo diário de três porções de lácteos como forma de contribuir para que sejam atingidas as recomendações diárias de cálcio e proteínas para a manutenção da saúde. Um copo de leite (200 mL) corresponde a uma dessas porções”, afirma o documento da SBAN.

Esta recomendação é para indivíduos saudáveis, com necessidade diária de 2.000 calorias. Seus valores diários podem ser maiores ou menores, dependendo de suas necessidades nutricionais.

Vale lembrar que este mineral é importante para a formação e manutenção da saúde da estrutura óssea, bem como diversas outras funções, como contração muscular, coagulação sanguínea, etc.

Um estudo realizado em 2006 também mostrou que as maiores fontes e com melhor absorção, são os laticínios bovinos. Outros alimentos apresentam concentrações elevadas de Cálcio, mas com biodisponibilidade variável.

A alta quantidade de Cálcio presente em alguns alimentos não indica que este tem uma alta biodisponibilidade. Por exemplo, comparando o Brócolis e o leite integral – para eu substituir a quantidade de cálcio existente em 240g de leite, uma pessoa deveria consumir 321g de brócolis ou 1605g de feijão vermelho ou 275,1 g de couve ou 1375,7g de espinafre ou 41,7g de queijo cheddar ou 30g de queijo branco.

Com estes dados, é possível dizer que os laticínios são sim boa fonte de Cálcio.

É claro que estes alimentos, bem como outros alimentos ricos em Cálcio, como vegetais de verde escuro e frutas secas, podem e devem fazer parte da sua alimentação, para complementar a quantidade de Cálcio que você precisa ou como substituto do leite se por algum motivo a pessoa não pode ou não quer consumir leite e derivados.

É possível sim conseguir a quantidade recomendada de Cálcio com outros alimentos (não laticínios), só queríamos mostrar que o leite, ao contrário, do que muitos dizem, é sim uma boa fonte do mineral.

“O leite é considerado o principal alimento fonte de cálcio para a nutrição humana” (FAO, 2013).

Mito 2 – Contém formol em sua composição

É bem verdade que nos anos de 2014, 2015 e 2016, operações da Polícia Federal e do Ministério Público encontraram amostras de leite com formol (e outras substâncias), chegando até a proibir a venda de algumas marcas.

No entanto, esta prática, que visa reutilizar alimentos vencidos no mercado, é criminosa e proibida. Não é, obviamente, o padrão do leite vendido no mercado brasileiro.

Até porque, atualmente a produção das grandes empresas passa por um processo moderno que garante sua validade a longo prazo. 

Se até alguns anos atrás todo leite era pasteurizado – aquele submetido à tratamento térmico, que consiste no aquecimento do alimento a temperaturas entre 72°C e 75°C, por cerca 15 a 20 segundos, e em seguida à refrigeração a 2°C e 5°C, sendo envasado em seguida -, que garantia a validade do produto por alguns poucos dias, hoje há outros métodos.

Trata-se do leite esterilizado, que é aquecido a 70°C em fluxo contínuo, embalado e em seguida esterilizado na própria embalagem à temperaturas entre 109°C e 120°C, por cerca de 30 minutos, para logo depois ser resfriado a 20°C.

Esse tratamento, conhecido como UHT (Ultra High Temperature) garante a eliminação de todos os microorganismos e sua validade por muito mais tempo.

A única substância acrescentada ao leite nesse processo é o estabilizante citrato de sódio, um composto orgânico já presente na composição do leite natural, que garante a estabilidade das proteínas durante o processo de ultrapasteurização.

Deve-se ressaltar que estabilizantes não têm função de conservantes, portanto, o leite UHT não contém conservantes.

Leites contaminados com formol são uma fraude. A substância não faz parte do leite de boa qualidade comprado na maioria dos mercados.

Mito 3 – Deve ser evitado por adultos

O leite é um alimento com excelente valor nutricional, já que é fonte de proteína de alto valor biológico e rico em vitaminas e minerais.

Não há evidências científicas que comprovem que o leite de vaca faz mal e não deve ser consumido por adultos.

O consumo de leite só deve ser evitado ou interrompido se a pessoa tiver intolerância, alergias ou outras condições físicas e imunológica.

Intolerância X alergia

A intolerância à lactose é o nome que se dá à incapacidade parcial ou completa de digerir o açúcar existente no leite e seus derivados – a lactose.

O organismo possui uma enzima digestiva chamada lactase que é responsável por quebrar a lactose.

Quando o organismo não produz ou produz em quantidade insuficiente esta enzima, a pessoa pode ter problemas ao consumir lactose, pois essa substância chega ao intestino grosso inalterada, se acumula e é fermentada por bactérias, resultando na formação de gases que podem provocar dores abdominais e/ou outros sintomas, como diarreia, náusea, flatulência e inchaço.

A quantidade de lactose que irá causar sintomas varia de indivíduo para indivíduo, de acordo com a forma como a lactose é consumida e do grau da deficiência da enzima lactase, principalmente. 

Ainda há indivíduos que absorvem mal a lactose, estes costumam apresentar os sintomas quando ingerem o leite puro e em grandes quantidades. No entanto, quando sua ingestão é feita com outros alimentos, os sintomas costumam ser amenizados.

Isso acontece porque os laticínios como queijos (com exceção dos frescos), apresentam apenas traços de lactose. O iogurte também costuma ser mais bem tolerado por maus absorvedores de lactose, pois parte da lactose é fermentada, o que resulta em uma diminuição da sua presença.

Pessoas intolerantes à lactose devem procurar orientação médica ou nutricional para saber o seu grau de deficiência de lactase e o melhor tratamento – se deve evitar alguns alimentos, não consumir produtos lácteos e saber fazer certas substituições ou se ainda podem utilizar a enzima lactase existente no mercado em forma de pó ou comprimido/cápsula.

Esta enzima pode ser consumida antes de consumir algum alimento com lactose ou pode ser adicionada ao alimento.

As pessoas estão se auto diagnosticando como intolerantes à lactose ou ainda deixando de consumir leite por achar que a lactose não faz bem, o que não é verdade.

O Conselho Regional de Nutricionistas (CRN-3), diz que a recomendação indiscriminada para a restrição ao consumo de leite e derivados não encontra, atualmente, respaldo científico com nível de evidência convincente.

Afirma, também, que a restrição ao consumo de leite e derivados somente deve ser feita aos indivíduos com diagnóstico clínico confirmado de intolerância à lactose, sensibilidade à proteína do leite (alergia à proteína do leite de vaca – APLV) ou de outras condições fisiológicas e imunológicas.

Já a alergia à proteína do leite de vaca é uma reação imunológica adversa, que se manifesta após a ingestão de uma porção (ainda que mínima), de leite ou derivados, podendo provocar alergias na pele, reações respiratórias e diferentes graus de injúria no intestino (constipação crônica, dores abdominais e/ou diarreias), além de náuseas e vômitos. Neste caso, não pode haver ingestão da proteína do leite.

É claro que ninguém é obrigado a consumir leite de vaca. Questões éticas e morais relativas à criação de vacas leiteiras, por exemplo, são argumentos totalmente aceitáveis para a interrupção do consumo e busca por alternativas. 

É possível, claro, ser saudável sem consumir este alimento. O ponto é que muitas pessoas deixam de consumir o produto baseado em informações falsas, boatos e falta de conhecimento. E, como é um bom alimento, não deve ser colocado como vilão da saúde – papel que definitivamente não lhe cabe.

E aí, você toma leite todos os dias ou é do time que prefere outros alimentos?

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