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7 coisas sobre bodybuilding que não passam de mitos da ‘bro science’

“Bro science” é aquele conhecimento científico divulgado por todo tipo de gente, exceto cientistas. Veja alguns mitos e não caia nessa!

A combinação entre busca constante por evolução e o poder de proliferação da informação através da internet causou um resultado curioso na musculação: os mitos.

É bem verdade que a busca por melhorias nas técnicas, nos conhecimentos sobre fisiologia, nutrição, bioquímica e medicina do esporte não pode parar – e tudo isso pode trazer resultados incríveis.

Só que é preciso cuidado, porque é fácil uma descoberta que ainda não está totalmente confirmada se transformar em verdade absoluta. E se espalhar na velocidade da luz – ou de um post nas redes sociais.

Nos EUA, existe até um termo usado para definir essas “falsas descobertas”, que são divulgadas com entusiasmo por pessoas sem nenhuma qualificação ou especialização no assunto que opinam, exceto pelo fato de treinarem: a chamada “bro science”.

A “bro science” é aquele conhecimento científico que é divulgado por todo tipo de gente, exceto cientistas.

Especialistas em educação física ou nutrição esportiva e atletas de verdade já descobriram que a ‘bro science’ é um grande problema da musculação atual e de quem procura resultados de verdade, com base na ciência e em fatos.

Por isso, não são poucos os que tentam combatê-la – tem até um canal no YouTube com 2 milhões de inscritos cujo objetivo é ridicularizar essa situação.

Aqui, listamos alguns mitos típicos da “bro science”. Falsas “verdades absolutas” que se proliferaram pelas academias nos últimos anos… mas que não passam de mitos.

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7 coisas sobre bodybuilding que não passam de mitos da ‘bro science’

1- Exercícios isolados são do mal

exercicios peitoral - Supino Sentado Supino Maquina

Essa ideia absurda ganhou força recentemente e diz que você só deve fazer exercícios compostos, multiarticulares, em detrimento dos isolados.

A gente já falou bastante sobre o assunto aqui no Feito de Iridium, mas ainda tem gente que acredita.

Os dois tipos de exercícios são úteis, com seus benefícios específicos. Logo, abrir mão de um e fazer apenas o outro é estupidez.

Você até pode dar preferência a um deles, de acordo com seus objetivos, mas sempre com espaço no treino para fazer ambos, e combinar as vantagens de cada um deles.

Simples assim.

2- Levante muito para crescer muito

Ou vai ou racha, né? A ideia de que só dá para crescer muito se você levantar cargas muito altas voltou à tona nos últimos tempos graças a popularização do powerlifting.

Só que essa ideia não é real. Quer dizer… músculos fortes tendem a ficar maiores, mas esta é apenas uma parte do processo.

Treino de força e de hipertrofia são coisas diferentes, que até podem se cruzar algumas vezes, mas não obrigatoriamente. Logo, não é só treinando força que você vai crescer.

E, assim, não é só levantando cargas elevadas que seus músculos vão ficar gigantes.

Qualquer especialista em educação física é capaz de montar um treino de hipertrofia eficiente que não vai te obrigar a buscar recordes pessoais a cada sessão.

3- Tem que comer como um búfalo

carboidratos

Essa ideia começou lá na década de 90l, mas continua em alta até hoje. A de que você precisa comer tudo que puder ao longo do dia para crescer.

Na época, a ideia era comer o máximo possível, não fazer atividades físicas fora da academia e dormir a maior quantidade de tempo possível por dia.

Isso criou uma geração de marombas enormes, no mal sentido, que não conseguiam ver os músculos abdominais em anos.

Parte dessa ideia estúpida se desfez com o tempo… mas não a parte da alimentação.

Tudo tem limite. Inclusive o crescimento muscular. Então, não adianta comer 3kg de proteína por dia… seus músculos não vão crescer mais ou mais rápido por isso.

A alimentação adequada e que vai acelerar e maximizar seus ganhos deve ser estabelecidade por um nutricionista, com base em suas necessidades específicas, que são diferentes dos seus amigos ou parceiros de treino.

É preciso saber quanto você precisa de cada macronutriente por dia, e alimentar-se com base nisso – nem mais, nem menos.

4- Muitas reps para queimar gordura

professor range repetições

As pessoas ainda acreditam que fazer um número elevado de repetições por série é a forma mais eficiente de queimar gordura.

Quem faz isso acha que cargas mais elevadas (e, consequentemente, menos repetições) só servem para quem quer ganhar massa muscular e força. Mas isso não é real.

Na verdade, a alimentação será responsável por grande parte do trabalho de queima de gordura – ou, pelo menos, de determinar o quanto esse desafio será mais fácil ou mais difícil.

Depois, a queima de gordura, na prática, exige uma combinação de fatores. O primeiro é o déficit calórico (gastar mais calorias do que você ingere).

Depois vem treinos de resistência para estimular a síntese proteica e, por último, os treinos cardiorrespiratórios, capazes de manter seu metabolismo acelerado.

São essas 3 coisas, juntas, que vão fazer você queimar gordura. Quanto às reps, o ideal é se manter numa amplitude moderada, entre 8 e 12, para evitar que você perca músculos junto com a gordura.

LEIA MAIS: Qual o número de repetições ideal para a hipertrofia?
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5- Só proteína interessa

A proteína é o rei dos nutrientes para quem treina, isso é fato. Mas o foco total nessa substância saiu do controle.

Um pouco por causa do marketing agressivo das empresas de suplemento e de gente querendo capitalizar em cima da popularização da musculação – existe até marca de cerveja com whey.

Mas, mais do que o mercado, essa ideia ganhou força principalmente por conta dos falsos especialistas, que propagam a ideia de que uma tonelada de proteína por dia vai fazer você virar um monstro.

Em geral, cerca de 2g de proteína por quilo de peso corporal, por dia, é o suficiente para quem quer ganhar massa muscular – o número exato, claro, é um nutricionista que vai definir para você.

Só que não adianta consumir a quantidade adequada de proteína por dia e esquecer outros nutrientes importantes. Carboidratos (preferencialmente os complexos), fibras, gorduras boas, vitaminas e minerais e muita água são essenciais.

Superdoses de proteína não ajudam em nada e podem causar problemas. E doses adequadas, sem preocupação com outras substâncias importantes, também não vai dar certo.

6- Carboidrato é crime

As dietas low-carb ou totalmente livres de carboidratos nunca estiveram tão em alta quanto nos últimos anos (e atualmente).

Mas o fato é que apenas os especialistas de Instagram que nunca estudaram nutrição lucram com esse método. Quem compra a ideia – em geral gente querendo emagrecer – até vê resultados rápidos, mas no longo prazo a técnica é insustentável.

Carboidratos não são inimigos do corpo perfeito – ao contrário; eles são fundamentais. O inimigo são os alimentos super-processados, o açúcar em excesso, o alimentação exagerada, e o treino mal feito.

Não importa se você quer ganhar massa, melhorar o condicionamento, queimar gordura… você precisa de carboidratos.

Cortar esse macronutriente pode causar problemas de saúde e não é uma solução definitiva para a perda de gordura corporal – em pouco tempo você vai recuperar o peso perdido.

Quer queimar gordura de forma eficiente e definitiva? Leia o item 4 e outros conteúdos sobre o assunto do Feito de Iridium que você tem muito mais a ganhar.

7- Treinar até não aguentar mais

hipertrofia miofibrilar - descanso

Treinar pesado é um ato de nobreza. É contagioso e, quanto mais você se dedica, mais quer treinar – até porque você quer ver o maior progresso diário possível rumo aos seus objetivos.

Mas tudo tem limite, e levar seus músculos à exaustão em todas as séries não é uma ideia muito inteligente.

Ao contrário do que muitos acreditam, o corpo humano não é uma máquina. A performance física não é sempre igual – ou, como alguns acreditam, cada vez melhor.

Ir até a falha nas últimas duas ou três séries de um exercício é o suficiente, não precisa ir até a falha em todas. Isso vale até (ou especialmente) para quem treina com técnicas avançadas – é por isso que você não deve fazê-las o tempo todo.

Se você quiser ir até o limite em todas as séries e em todas as repetições, vai comprometer a boa execução dos movimentos.

Também é importante programar dias de treino mais leve, para priorizar e evoluir a forma e a técnica – até porque, de nada adianta levantar uma tonelada no braço se a execução for mal feita.

E, claro, para evitar entrar em overtraining, que pode fazer você catabolizar e perder o que já ganhou.

Importante lembrar que, óbvia e infelizmente, esses são apenas alguns dos milhares de mitos da “bro science”. São tantos, que não cabem em um só post – mas em breve a gente fala de outros, pra evitar que alguém caia nessas bobagens.

E você, já caiu em algum mito da “bro science”?

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