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O uso de maconha oferece algum benefício para quem treina?

A agência de controle antidoping aumentou o limite de maconha permitido para atletas. Isso já dá uma pista sobre a resposta pra pergunta do título…

A Rio 2016 foi a primeira edição dos Jogos Olímpicos sob as novas regras de doping da Wada, a Agência Mundial Antidoping. Entre as principais mudanças, o aumento de 10 vezes na quantidade limite de THC permitida no sangue dos atletas.

O THC é a substância psicoativa da maconha, e o aumento do limite imposto pela Wada evita que atletas seja pegos em testes ou suspensos de competições por utilizarem a droga.

Na prática, os novos limites permitem que os atletas fumem maconha até dois ou três dias antes do exame. Isso significa que a maconha só será considerada doping se utilizada durante a competição.

Embora proibida no Brasil, é fato que muita gente utiliza a droga regularmente, e aí surge a questão: a maconha pode prejudicar a performance de um atleta?

No caso dos marombas: fumar maconha pode afetar seu desempenho na academia e arruinar seus ganhos?

É isso que tentaremos explicar a seguir.

Fumar maconha ajuda o atleta?

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A lista de substâncias proibidas pela Wada são, de forma geral, aquelas que de alguma forma podem melhorar o desempenho dos atletas.

O fato da agência elevar o limite permitido de THC indica que a substância não oferece nenhuma vantagem a atletas que a utilizam.

E eles têm razão. Entre os milhares de estudos realizados sobre o uso de maconha – alguns indicando problemas graves com relação ao seu consumo, e outros nem tanto – o fato é que não existe uma única pesquisa que aponte benefícios do consumo da droga por atletas.

A maconha não tem nenhum efeito benéfico para esportistas – a cocaína, por exemplo, é um estimulante; outras drogas utilizadas por atletas incluem diuréticos, anabolizantes, etc.

A erva prejudica os atletas?

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Então, se a maconha não oferece benefícios, isso significa que ela é prejudicial aos atletas?

Basicamente – e superficialmente – sim. Tanto para atletas quanto para os sedentários. O “superficialmente” se dá porque a discussão sobre os efeitos medicinais ou terapêuticos da droga é cada vez mais intenso.

Apesar de existirem muitos estudos contraditórios, e também de existirem diferentes tipos de maconha com diferentes efeitos e impactos no organismo, especialistas em saúde concordam com muitos dos efeitos negativos do uso da droga.

Por exemplo, um estudo realizado em Harvard com “adultos jovens” que comprova que, no longo prazo, o THC afeta a forma, a densidade e o volume das amídalas e de algumas áreas do cérebro que controlam de emoções à motivação.

Além disso, existem vários estudos que mostram que usuários frequentes de maconha têm sintomas que não combinam muito com a prática de esportes – a diminuição do tempo de reação (reflexos), por exemplo.

Maconha e musculação

No caso da musculação, há sintomas que afetam diretamente a prática do esporte. O uso regular da droga diminui a força e a explosão musculares, dificulta a comunicação entre cérebro e músculos e reduz a coordenação motora.

Além disso, como a droga em geral é fumada, seu uso afeta seriamente a saúde do sistema respiratório, fazendo com que o usuário tenha menos resistência e menor capacidade pulmonar – além de se expor a um risco maior de desenvolvimento de doenças como câncer de pulmão.

Então, se você utiliza maconha, é importante saber que, mesmo que ela não afete seus ganhos diretamente, ela vai dificultar sua vida na academia.

Mas não existe nenhum benefício?

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A maconha é considerada uma droga “leve”, e não por acaso já teve seu uso legalizado em diversos países, principalmente por seus alegados efeitos terapêuticos.

Neste sentido, é normal que atletas utilizem a substância para combater a ansiedade, dores e outros problemas. Também existem estudos e usuários que atestam a eficácia da erva no combate ao stress, como um calmante ou relaxante.

No entanto, no Brasil o consumo (e o porte, e a venda) de maconha é proibido, mesmo para fins medicinais. Por isso, não é possível afirmar que seus efeitos terapêuticos ou calmante sejam necessariamente um benefício, pois o seu uso pode fazer com que você tenha uma bela dor de cabeça com a Justiça e a lei.

Outro ponto relacionado ao consumo da droga que muito maromba pode achar benéfico é o aumento do apetite dos seus usuários – o que facilitaria o ganho de peso na fase do bulk.

O fato é que essa é uma ideia equivocada: no longo prazo, usuários de maconha tendem a perder o apetite – e isso é péssimo para qualquer marombeiro, durante o bulk ou não.

Conclusão

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A maconha não oferece nenhum benefício específico para usuários esportistas. Não há nenhuma melhora na performance ou vantagem obtida com o uso da droga.

Sua presença na lista de substâncias proibidas pela Wada atualmente só vale para uso durante competições e, basicamente, apenas porque é proibida em muitas partes do mundo.

Por outro lado, a maconha também não é uma droga de efeitos devastadores.

Se você for um usuário ocasional, que utiliza maconha em situações muito esparsas, é provável que não sofra consequências sérias no seu treino e no seu desempenho – apesar de também não ganhar nada com isso.

Já se você é um usuário frequente, talvez seja hora de refletir – não há dúvidas do impacto negativo deste hábito para seus resultados na academia.

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