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Cupping: conheça a polêmica técnica que Phelps popularizou nas Olimpíadas

Cupping, ou terapia de ventosas, é a responsável pelas marcas redondas roxas no corpo do multi-campeão. Saiba tudo sobre essa técnica!

Nas Olimpíadas Rio 2016, Michael Phelps chamou atenção do mundo inteiro. E não foi só por causa das suas 6 medalhas – cinco delas de ouro – mas também por causa de umas manchas roxas e redondas espalhadas pelo seu corpo.

A marcas eram resultados de uma terapida utilizada pelo nadador, chamada cupping.

Apesar de ser bastante antiga, foi o nadador quem colocou os holofotes sobre a técnica. Não demorou e, claro, veio a polêmica: será que funciona? E os efeitos negativos? Tem comprovação científica? Como é feita?

Se você ainda tem dúvidas sobre o que é o cupping, elas vão acabar agora. Saiba tudo sobre esta técnica!.

Thanks @arschmitty for my cupping today!!! #mpswim #mp ???? @chasekalisz

Uma foto publicada por Michael Phelps (@m_phelps00) em

O que é cupping?

Também chamada “terapia de ventosas”, o cupping é uma forma de medicina alternativa, parte da Medicina Tradicional Chinesa.

Um copo de vidro especial – “cup”, em inglês – é colocado sobre a pele e, com a utilização do calor, é gerado um vácuo que causa a sucção da pele para dentro do objeto.

Após cerca de 10 minutos, o copo é retirado – e as manchas roxas arrendondadas são frutos desta pressão à qual a pele foi submetida.

Para quê serve?

Na teoria, a sucção da pele aumenta o fluxo sanguíneo no local onde os recipientes estão acoplados, e, assim, o cupping serviria para aliviar dores musculares e articulares, melhorar o sistema circulatório e acelerar o processo de recuperação muscular.

Tradicionalmente, o cupping também é utilizado para tratar doenças respiratórias (bronquite, asma, etc.), artrite e problemas gastrointestinais.

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A polêmica

Como toda forma de medicina alternativa, o cupping é alvo de críticas da comunidade científica.

Realmente, não há evidências científicas que comprovem a eficácia do tratamento. Pelo contrário: muitos médicos e especialistas no assunto se declaram contra o cupping.

A tradicional revista “The Atlantic“, dos EUA, por exemplo, publicou um artigo intitulado “Please, Michael Phelps, Stop Cupping” (“Phelps, por favor, pare de fazer cupping”), onde afirma que a técnica, ao invés de melhorar o fluxo sanguíneo, causa coágulos que podem prejudicar o fluxo sanguíneo.

O texto também afirma que a técnica é um desperdício de dinheiro e critica o nadador por divulgar uma terapia sem eficácia comprovada e que, por ser o nadador um modelo, estimula os jovens a “desacreditar na ciência”.

Como a maioria das publicações dos EUA, o jornal “The Independent” também adotou o tom crítico, e diz que a terapia não oferece nenhum benefício – além de sugerir que o nadador foi pago para divulgar a técnica.

De fato, os estudos sobre cupping deixam dúvidas sobre a eficácia da terapia. Por outro lado, o efeito placebo dessa e de outras terapias alternativas pode sim ser benéfico.

“Um efeito placebo está presente em todos os tratamentos, e estou certo de que é muito significativo no caso do cupping”, disse Leonid Kalichman, um professor sênior da Ben-Gurion University of the Negev, em Israel, ao “NY Times“.

Recentemente, ele publicou um estudo sobre como cupping no Journal of Bodywork And Movement Therapies: “Um paciente pode sentir o tratamento e ficar com marcas dele no corpo, o que definitivamente colabora para um efeito de placebo”.

Além do efeito placebo, que pode ser positivo, o desempenho de Phelps na Rio 2016 mostra que, mesmo que a técnica não promova grandes benefícios nem melhore a performance física, ela também não causa nenhum problema – do contrário, o atleta não voltaria para os EUA com mais 6 medalhas no peito.

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Cupping maromba

Se você gosta de medicinas alternativas e não liga muito se elas têm ou não comprovação científica, o cupping pode ser uma boa alternativa.

No caso do cupping, como em teoria ele favorece a recuperação muscular e combates dores musculares, pode ser útil para quem treina pesado.

Além disso, a treinadora californiana Brandi Ross, do site Breaking Muscle, é adepta da técnica e afirma ter realizado uma série de testes com o cupping que, segundo ela, comprovam dois benefícios para quem treina.

O primeiro é o ganho de cerca de 15 graus na amplitude de movimento em exercícios de flexão e extensão de braços. O segundo é relacionado à posição do calcanhar e flexão dos joelhos, que favoreceria o movimento de corrida.

Importante lembrar que o cupping pode ser realizado em diversas partes e em posições diferentes do corpo, e o resultado depende de como e onde a terapia é realizada.

E, claro, o cupping só pode ser feito por pessoas capacitadas, que conheçam a técnica profundamente e a façam com materiais e da forma adequada – como acontece, por exemplo, com a acupuntura. Você não espeta agulhas pelo corpo na sua casa, né?!

Famosos

Michael Phelps, por ser um dos maiores atletas da história, sem dúvida foi o grande responsável por trazer o cupping à tona – a técnica aparece até em um comercial que ele gravou para a Under Armour (veja abaixo, aos 0:46).

Mas, além dele, vários outros atletas mostraram as marcas que resultam da terapia durante as última Olimpíadas como o ginasta Alex Naddour (EUA) e a nadadora Ruta Meilutyte (LIT).

A multi-medalhista Natalie Coughlin (foto acima), também da natação, é outra que já exibiu suas fotos durante sessões de Cupping no Instagram. O Portland Trail Blazer, time da NBA, também usa o cupping em seus atletas.

Fora dos esportes, nomes como Gwyneth Paltrow, Jennifer Anninston e Victoria Beckham são entusiastas da terapia de ventosas.

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