mitos nutrição - frango com pele

8 bobagens sobre nutrição que as pessoas falam na academia

As academias são terrenos férteis para a proliferação de mitos e boatos sobre treino e dieta. E é sobre esse segundo que falaremos aqui

Assim como acontece com o treino, muita gente adora falar coisas que não sabe sobre alimentação. E, como quem treina em geral está atento também à dieta, a academia é um lugar propício para a proliferação de boatos e mentiras sobre o assunto.

A gente separou algumas das maiores bobagens que as pessoas falam sobre nutrição na academia. Alguns são meio que ignorados, mas outros fazem a cabeça de milhares de pessoas, que passam a se dedicar a uma premissa totalmente falsa.

Para evitar que você caia numa dessas besteiras que desinformados adoram espalhar, ou até para te fazer mudar de ideia caso você já tenha caído em alguma, dê uma olhada na lista aí embaixo. Se liga:

8 bobagens sobre nutrição que as pessoas falam na academia

1 – “Romã (ou qualquer outra fruta) é rica em antioxidantes”

romã

A cada mês surge uma nova “super-fruta”, rica em anti-oxidantes, mais saudável do que qualquer outra, capaz até de combater o câncer. Vamos com calma.

Primeiro porque absolutamente todas as frutas possuem antioxidantes. Depois, porque alimentação não é remédio – é claro que, no longo prazo, uma alimentação saudável pode mesmo evitar uma série de doenças, mas isso não é exclusividade de um ou outro vegetal específico.

É comum acharmos na internet os benefícios e as novidades nutricionais de alguns alimentos. Há um tempo, a romã foi tida como um novo superalimento – por ser rica em antioxidante. É possível encontrar em diversos sites que, por ser fonte de antioxidantes, ela combate inflamações, previne doenças cardiovasculares e até o câncer.

É certo dizer que os alimentos ricos em antioxidantes, como a Romã, promovem benefícios à saúde e auxiliam na prevenção de inflamações, doenças cardiovasculares, entre outros.

Só que muitos alimentos são ricos em substâncias antioxidantes e outros fitonutrientes, e basicamente toda parte digerível de uma planta é cheia de antioxidantes. Portanto, não há um único superalimento que cumpra todo esse papel sozinho.

É claro que o consumo desta fruta (e de qualquer outra) é super benéfico à saúde, mas isso não significa que ela seja exista uma fruta indispensável e que vai resolver seus problemas de saúde do dia para a noite.

2 – “Beterraba é rica em Ferro”

beterraba - suco

Quando alguém fala que está com anemia ou que precisa consumir mais Ferro, você sempre vai ouvir alguém dizer: “come beterraba”.

A beterraba realmente contém Ferro em sua composição, porém há diversos outros alimentos que são ricos neste mineral.

Para se ter uma ideia, enquanto 100g de beterraba contém 0,3 mg de Ferro, 100g de coentro desidratado contém 81,4 mg e 100 g de salsa contém 3,2 mg do mineral.

Além disso, as carnes e os alimentos de origem animal possuem uma quantidade ainda maior do mineral.

Ou seja, se você precisa aumentar o consumo de Ferro você não precisa depositar todas as suas fichas na beterraba. Aliás, você nem deve fazer isso, porque não vai resolver o problema.

Existem outros alimentos ricos em Ferro, muito mais ricos, aliás, do que a Beterraba.

3 – “Sal marinho é muito melhor”

sal marinho refinado himalaia

Você já deve estar careca de saber que o sódio é um mineral essencial à saúde, mas que seu consumo excessivo é bastante perigoso. É por isso que muitas pessoas condenam o consumo de sal, rico na substância.

Há alguns poucos anos, surgiu o sal marinho como alternativa ao sal refinado. Ele realmente é muito mais nutritivo, rico em oligoelementos que o sal refinado não contém, como cálcio, ferro, cobre, entre outros.

Mas isso não faz dele menos “perigoso”. Seu consumo em excesso é igualmente prejudicial quanto o sal refinado.

Então, você pode usar sal marinho por causa do sabor que ele dá à comida, por causa da sua textura, e até por ser mais nutritivo, mas o sal marinho não é muito melhor do que o sal refinado.

Até porque, ambos apresentam teor de sódio parecido (575 miligramas por colher de chá) e, se consumidos em excesso, podem desenvolver pressão arterial elevada na mesma proporção.

Então, não adianta substituir o sal refinado pelo marinho com a intenção de reduzir sódio. Você deve reduzir a quantidade consumida, seja qual for o tipo de sal que você utiliza. O mesmo vale para o Sal Rosa do Himalaia ou qualquer outra variação.

4 – “Não consuma leite, faz mal”

leite

Apesar de ser relativamente comum encontrar pessoas com intolerância à lactose e/ou à proteína do leite, não se pode generalizar: o leite é uma ótima fonte de proteínas, vitaminas e minerais – principalmente de Cálcio.

Assim como o glúten, não são todas as pessoas que são intolerante a esses alimentos e que não devem consumi-los. Para quem não tem nenhum restrição, o leite é sim um alimento rico nutricionalmente e pode fazer parte da alimentação diária das pessoas.

Apenas é importante saber escolher o tipo de leite. Por exemplo, numa dieta para atletas, com baixo consumo de gordura, o leite integral não é a melhor opção, devendo ser substituído pelo desnatado ou semidesnatado.

5 – “Preciso de uma dieta Detox”

sucos detox

As dietas detox e alimentos tidos como desintoxicantes ganharam atenção de uns anos para cá. Isso porque dizia-se que eliminando algumas toxinas, o organismo trabalharia melhor e ajudaria até no processo de emagrecimento.

Os seres humanos já possuem um excelente sistema “detox”, cortesia de órgãos como fígado, rins, pulmões e outros. Eles fazem muito bem o papel de livrar seu corpo dos subprodutos do metabolismo.

Claro que evitar práticas que levam ao acúmulo de toxinas, como fumar e consumir alimentos industrializados, e dar preferência a legumes e verduras isentos de pesticidas, carnes orgânicas, etc., ajuda o organismo a se manter equilibrado e livre de toxinas.

Além disso, pela dieta detox basear-se no consumo de alimentos naturais, orgânicos e no baixo ou consumo zero de industrializados, é bem interessante e pode ser muito benéfica à saúde.

Porém, não adianta tomar suco ‘detox’ todos os dias de manhã e comer besteiras à tarde, ou se alimentar bem durante 2 dias da semana e nos outros 5 esquecer da dieta.

Você pode fazer uma dieta detox e isso pode até ser um hábito bom. Mas ninguém precisa disso obrigatoriamente. Tratar alguns alimentos isoladamente como milagrosos e desintoxicantes é um conceito totalmente errado.

6 – “Xarope de milho é pior que açúcar”

xarope de milho

O xarope de milho é rico em frutose e está no topo da lista dos alimentos considerados “vilões” da saúde. Ele surgiu como uma ótima alternativa ao açúcar, mas, como apareceu em muitos alimentos industrializados, começou a “lenda” de que é até pior que o açúcar comum.

As substâncias que compõem o xarope de milho são semelhante ao do açúcar refinado. 

O açúcar é composto 50% de frutose e 50% de glicose, enquanto o xarope de milho contém 55% de frutose, 42% de glicose e 3% de sacarídeos, e o número de calorias é o mesmo.

Se consumidos em excesso, ambos podem levar ao ganho de peso, doença do fígado, resistência à insulina, doenças cardíacas e diabetes tipo 2.

Então não tem essa de “pior que o açúcar”. Ambos devem ser consumidos com moderação, e ponto final. 

7 – “Gorduras devem ser eliminadas da dieta”

gorduras boas

A ingestão de gorduras não é a causa isolada de doenças cardiovasculares ou do sobrepeso. Da mesma forma que ingerir alimentos fonte de colesterol não irão diretamente aumentar seus níveis de colesterol, comer gordura não fará obrigatoriamente você armazenar gordura.

A gordura é essencial para diversas funções no organismo, como absorção de algumas vitaminas, síntese de hormônios como a testosterona, etc – até por isso, ela é essencial para quem quer desenvolver os músculos.

O equilíbrio da ingestão de cada nutriente que pode alterar o perfil lipídico e o ganho de peso corporal.

É claro que o consumo das gorduras boas – insaturadas – deve ser maior em relação ao consumo das gorduras saturadas, mas o fato é que eliminar as gorduras da dieta é uma péssima ideia. 

8 – “Frango só se for sem a pele”

frango grelhado com pele

A maioria das pessoas acha que na pele do frango encontra-se uma quantidade imensa de gorduras que podem fazer mal. Mas não é bem assim.

Cerca de 55% da gordura presente na pele do frango é monoinsaturada – ou seja, mais da metade da gordura da pele do frango é de gordura boa. Além disso, a quantidade de gordura presente na pele do frango não é tão elevada a ponto de estragar sua dieta.

É claro que se você consumir frango no almoço e na janta quase todos os dias da semana, consumi-lo sem pele diminui a quantidade de gordura ingerida, pois a pele também contém gordura saturada. Mas, se uma vez ou outra você consumir um pedaço de frango com pele, não há nenhum problema.

Além disso, a pele do frango desempenha um papel importante no cozimento e garante uma carne sempre macia e suculenta. E, claro, evite comer o frango frito, que, por ser feita no óleo, contém muito mais gordura. Prefira sempre as versões assadas, grelhadas ou cozidas.

E aí, você já acreditou em alguma dessas bobagens?

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