aerobico em jejum vale a pena

Aeróbico em jejum: vale a pena?

Será que vale a pena treinar sem ter comido antes? É perigoso fazer exercícios aeróbicos em jejum? Descubra tudo sobre este assunto

Será que vale a pena treinar em jejum?

Atualmente, é cada dia mais comum entrar em uma academia e encontrar ali diversas pessoas se exercitando sem ter comido nada antes.

Seja pela correria do dia a dia, preguiça ou até para tentar alguma técnica que acelere os resultados, o hábito de treinar em jejum está se tornando cada vez mais comum.

Mas será que vale a pena treinar sem ter comido antes? É perigoso fazer exercícios aeróbicos em jejum?

Esse é um assunto polêmico e que gera muitas controvérsias, considerando seus possíveis danos à saúde e a sua eficácia no corpo humano.

Saiba mais a respeito e tenha argumentos para tomar a melhor decisão!

O exercício aeróbico

O exercício aeróbico é uma atividade que explora as musculaturas cardiorrespiratórias, ou seja, usa oxigênio de forma fundamental durante a produção de energia no músculo.

Existem diversas modalidades de exercícios aeróbicos e você provavelmente já praticou algumas delas. Bons exemplos são: caminhada, corrida, natação, bicicleta, dança e etc.

É um tipo de atividade que pode proporcionar vários benefícios à saúde, considerando que melhora a qualidade de vida, traz ganho de resistência e ainda reduz a chance de doenças, como as cardiorrespiratórias, por exemplo.

Ou seja, é uma atividade desenvolvida para que você suporte períodos maiores de atividade sem se sentir desconfortável. Quando se torna parte da rotina, traz como ganho a melhora do condicionamento físico também.

A ideia dessa prática é fazer com que sua frequência cardíaca suba acima do nível médio, seu corpo consiga suprir a necessidade de oxigenação, fazendo com que haja um alto índice de queima calórica.

A polêmica quanto à prática desse tipo de exercício sem uma alimentação prévia é totalmente justificável, já que para muitas pessoas o que acontece é que você demanda muita energia do seu corpo em um período que ele tem poucas reservas para queimar.

Mas será que é verdade mesmo? Será que a prática oferece algum dano para a saúde? Ou é só especulação? Para entender melhor, vamos descobrir quais os tipos de jejum.

Tipos de jejum

Talvez você não saiba, mas ao falar de exercício aeróbico sem alimentação, você pode se referir a situações muito distintas, até porque quando falamos de jejum é importante lembrar que existem várias formas com que ele pode acontecer.

Jejum Fisiológico Normal

O jejum fisiológico normal é o mais comum e praticado pela maioria das pessoas. Trata-se do período em que você fica sem comer entre uma refeição e a outra. Esse jejum acontece normalmente entre 3 e 3 horas e, portanto, não é um período muito longo.

Nesse caso, se exercitar no espaçamento do jejum fisiológico não oferece risco à sua saúde, pois a alimentação foi ingerida algumas horas antes.

Jejum Intermitente

Outro tipo é o jejum intermitente, que é muito explorado em algumas dietas para fazer com que as pessoas fiquem sem comer por mais tempo.

Nesse caso, a pessoa fica sem comer por períodos bem superiores a 3 ou 4 horas. Depois, vem uma supercompensação com uma alimentação boa e recheada de produtos saudáveis, no caso da dieta.

Essa prática não é muito recomendada, pois o ideal é comer porções menores de 3 em 3 horas. Além disso, se exercitar nesse período pode ser problemático, pois os índices energéticos estão mais baixos no organismo.

Jejum Prolongado

O jejum prolongado é o que envolve períodos maiores, superando o tempo de 12h. Ele é muito pedido quando você vai fazer exames de sangue, por exemplo.

Esse tipo de jejum já gasta uma quantidade considerável de reservas de glicogênio no seu organismo, tanto as que estão no tecido hepático (fígado) quanto no muscular, para que seu corpo continue a funcionar normalmente.

Entretanto, nesse período é bom não forçar muito o organismo, pois ele está com os índices bem mais baixos que os ideais.

Outra maneira de considerar o período de jejum de cada pessoa é analisar o nível de glicemia no sangue.

Essa é uma maneira mais técnica, mas que pode considerar de forma mais precisa o que o corpo tem como reserva para que você possa demandar alguma atividade, seja de alta ou baixa intensidade.

Portanto, realizar atividades poucas horas depois da última refeição, como em torno de 3 horas, pode não ser problema nenhum para o organismo, desde que você tenha uma noção da quantidade de glicídios no corpo.

Resultados da prática

O que leva muitas pessoas a aderirem a prática de exercício físico em jejum é uma maior facilidade para queimar as gorduras. Mas por que isso acontece?

Nesse período, a maioria das pessoas está com uma quantidade mais baixa de glicogênio no organismo – que funciona como reserva primária de energia no corpo humano, atuando em forma de carboidratos.

Então o metabolismo começa a alternar para outras fontes energéticas, como as gorduras que estão armazenadas nos adipócitos. Isso faz com que o percentual de gordura corpórea diminua, facilitando a queima calórica nas células de gordura no corpo.

O outro lado da moeda acontece na mesma situação. Isso porque o corpo também utiliza os substratos proteicos, principalmente os aminoácidos gliconeogênicos, fazendo com que o corpo também produza glicose nas condições de jejum.

E a queima desses substratos pode não ter um resultado muito bom para sua saúde!

Nesse caso, é muito importante pesar a realização de atividades em jejum. Por exemplo, se você apresenta certa facilidade em ter hipoglicemia, essa pode não ser a melhor opção para você.

Afinal de contas, a taxa pode cair ainda mais no seu sangue, causando muito mal-estar, tonturas e até desmaios.

A mesma condição vale para indivíduos ectomorfos (com biótipo magro) ou com algum tipo de doença, em que a atividade de alta intensidade pode gerar algum tipo de disfunção.

Portanto, não comece a desempenhar atividades da sua cabeça ou por achar que traria resultados mais eficientes para o seu corpo. Não hesite em procurar um médico ou um nutricionista para que ele te ajude a tomar a decisão mais sábia.

E não se esqueça de fazer o acompanhamento com o mesmo profissional. Saúde em primeiro lugar sempre!

Exercícios em jejum e suplementação

Outro ponto que traz muita dúvida é o possível uso da suplementação antes de realizar o exercício aeróbico. Será que essa seria uma boa medida?

A resposta é que esse pode ser um erro muito comum, principalmente quando se faz uso de suplementos como BCAAs ou glutamina. O BCAA, por exemplo, contém a L-Leucina, que estimula a secreção da insulina.

Essa é uma medida totalmente contrária à lipólise, processo de queima de gordura que os marombas esperam acontecer, já que ele degrada os lipídios em ácidos graxos e glicerol.

Já a glutamina, o outro suplemento, é um aminoácido glicogênico, que pode ser facilmente subtratado e transformado em glicose.

Se a intenção do seu treino é que ele aconteça em jejum – e você já teve a liberação do seu médico para isso – é bom ter apenas água no estômago.

Se você quiser saber mais sobre suplementação e se é melhor utilizá-la com água ou com leite, descubra agora mesmo nessa postagem aqui.

Jejum e exercício de baixa intensidade

Como já falamos, esse assunto gera muita controvérsia, principalmente envolvendo nome de grandes treinadores e atletas.

O professor Waldemar Guimarães, um dos principais nomes do fisiculturismo brasileiro, por exemplo, discorda da prática de exercícios físicos de alta intensidade em jejum.

Seguindo a sua linha de raciocínio, ele pensa que essa é uma maneira de recrutar uma parte das miofibrilas (as fibras musculares) para conseguir desempenhar os exercícios em alta intensidade.

Essa medida, por sua vez, pode possibilitar um catabolismo muscular superior e que deveria ser evitado. Nesse caso, é melhor desempenhar atividades de baixa ou média intensidade.

Assim, o corpo recruta, de forma mais natural, o glicogênio presente nos músculos e depois parte em busca de outras vias energéticas, passando então a consumir a gordura estocada.

Outros nomes relevantes também defendem que não é nada bom que o corpo seja submetido a exercícios de alta intensidade sem ter energia para tal.

Algumas pesquisas revelam que a melhor maneira para queimar gordura corpórea ainda é a prática de exercícios de alta intensidade e curta duração, com o praticante bem alimentado. Nesse caso ele tem alinhado os processos hormonais, enzimáticos, etc.

Seguindo a linha de raciocínio desses homens, é melhor praticar exercícios de baixa ou média intensidade em jejum, algo como uma caminhada mais tranquila, por exemplo. Essa seria a medida mais indicada respeitando as condições fisiológicas.

A importância do desjejum

Como você provavelmente já ouviu ou leu, o café da manhã tem um papel importantíssimo no seu corpo. Ele é responsável por ativar o seu metabolismo logo cedo.

Portanto, uma boa maneira é começar o dia ingerindo fibras e proteínas magras, uma mistura que pode auxiliar a queima de calorias e acelerar o seu metabolismo.

Assim o resultado será ótimo. E, como você pode perceber, você pode comer e perder peso, basta comer o alimento certo na porção indicada.

E mais: analise as pessoas que têm o café da manhã equilibrado como uma prática constante: a maioria delas é magra e tem grande facilidade em manter o peso, pois o seu corpo tem o dia inteiro para utilizar as calorias que você ingeriu.

Pesquisas revelam que quase 80% das dietas bem-sucedidas têm o café da manhã como a principal refeição. Ou seja, se você puder ter uma boa alimentação e aliar isso à prática de exercícios físicos, pode atingir seu objetivo com mais facilidade.

Comer pela manhã é uma maneira de evitar que você coma em excesso na próxima refeição, descontando o longo período que estava em jejum.

Observações importantes

Vale a pena lembrar que o corpo demanda quantidades diferentes de carboidratos e gorduras durante o treinamento. Isso pode parecer óbvio, mas muitas pessoas acabam se esquecendo de pensar nisso.

Então, se a intensidade for maior, por consequência, maior será a demanda por carboidratos e gorduras. Estamos tratando desse assunto porque você provavelmente já ouviu falar da “faixa de queima de gordura”.

Todo praticante de exercício físico quer estar nela, afinal de contas, é quando a sua frequência cardíaca queima mais gordura.

O corpo humano consome mais gordura durante exercícios em intensidades moderadas. Porém, a intensidade moderada não gera um efeito prolongado dessa queima.

A realidade muda quando você começa a fazer exercícios aeróbicos com uma intensidade maior, como nos treinos de alta intensidade. Bons exemplos são o CrossFit e o spinning.

Nesse caso, você vai ter uma queima maior de carboidrato e menos gordura como combustível no momento.

A boa notícia é que esse treino pode fazer com que seu corpo continue queimando gordura depois do treino, e essa queima pode se prolongar por várias horas. O seu corpo não queima gordura apenas quando você se exercita!

Ou seja, apesar de fazer com que você queime mais gordura durante o treino quando está em jejum, ele não consegue ser mais eficiente que essa opção. O efeito prolongado pode ser um grande benefício, sem contar que é superindicado para os praticantes alimentados.

Comer antes do treino pode parecer ruim em um primeiro momento, mas pode gerar um metabolismo bem mais acelerado por horas seguidas depois do fim do seu treinamento.

A questão agora é com você: você acha que vale pena sacrificar o seu rendimento durante o treino? Ou prefere se alimentar bem pela manhã e se exercitar em um intervalo de jejum menor?

 

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